Imagine o pulsar dos becos de Queensbridge no início dos anos 90, com o jovem Nasir Jones transformando a poesia crua de suas ruas em versos de hip-hop tão íntimos quanto um diário. Filho do músico de jazz Olu Dara, Nas cresceu em meio às tensões e sonhos de um projeto habitacional, e foi ali que aprendeu a traduzir cada esquina, cada desafio, em histórias capazes de ressoar no mundo inteiro. Em 1994, ele gravou demos sob o nome Nasty Nas e surpreendeu todo mundo com o icônico Illmatic — uma obra-prima que mudou para sempre a forma de contar narrativas pelo rap. Mais que um artista solo, Nas virou sinônimo de movimento cultural, fundando coletivos como The Firm, colaborando com gigantes da Def Jam e da Columbia, e mantendo uma influência que atravessa gerações.
Em 1996, Nas lança o single If I Ruled the World (Imagine That) do seu segundo álbum, It Was Written. A batida rica, assinada pelos Trackmasters com coadaptação de Rashad Smith, mescla samples de Whodini e interferências sutis do soul dos anos 70, criando uma base sonora perfeita para as rimas visionárias de Nas. Mas é a voz de Lauryn Hill, em sua estreia solo além dos Fugees, que dá o tom profético: ela entoa um refrão que imagina pontes unindo bairros divididos e futuros reescritos pela esperança. O videoclipe de Hype Williams, o sucesso em oito países e a indicação ao Grammy consolidaram If I Ruled the World (Imagine That) como um verdadeiro hino inspirador.

