♫ Kishi Bashi - It All Began With a Burst

Album: 151a.
Ano: 2013.
Em algum show do Jupiter One, em meados dos anos 2000, um repórter reparou que o violinista da banda mal conseguia ser ouvido por cima da bateria. O violinista era Kaoru Ishibashi. Filho de dois professores japoneses radicados em Norfolk, na Virgínia, ele estudou trilha sonora na Berklee e passou a década seguinte na sombra: primeiro naquela banda de indie rock do Brooklyn, depois como músico de apoio de Regina Spektor, Sondre Lerche e, por alguns anos, do of Montreal. Em 2011 resolveu parar de ser acompanhamento. Voltou para casa, em Norfolk, e gravou sozinho cada nota do disco que assinaria como Kishi Bashi. 151a, lançado em 2012, brinca com a expressão japonesa ichi-go ichi-e, algo como "um momento, um lugar", que para ele resumia uma filosofia de palco: abraçar o erro e aproveitar o instante enquanto ele dura. É o que faz ao vivo até hoje, empilhando loops de violino, voz e beatbox até soar como uma orquestra inteira. O disco o transformou em um dos violinistas mais requisitados do indie, e a crítica resumiu bem o motivo ao chamar aquilo de nove canções de câmara cósmicas e intensamente melódicas.
A quarta faixa desse disco começa com uma picada de mosquito. Literalmente: a primeira frase de "It All Began With a Burst" é em japonês e quer dizer que ele foi picado naquela manhã. A partir daí tudo detona. Em pouco mais de três minutos, Kishi Bashi forma imagens que não deveriam caber na mesma canção, risadas que derrubam paredes, aviões, refeitórios, gesso, um liquidificador, e amarra o caos com uma única palavra gritada como explosão. É a música mais eufórica do álbum e também a que melhor traduz o método dele: fragmentos pequenos costurados até virarem algo maior que a soma das partes. O título, no fundo, é um mito de origem em miniatura, um Big Bang particular, o que faz todo sentido num disco de estreia. Quando saiu em compacto de sete polegadas, o último de uma série de três lançados pela gravadora, o lado B trazia uma versão orquestral de "Prologue / Twilight", do ELO. Vindo de quem faz pop de câmara com um violino e um pedal de loop, não existia lado B mais honesto.
Sobre Adabriand Furtado
Paraibano, campinense (❤️), graduado em Ciência da Computação pela UFCG. Antes, tocava em festas indies/alternativas como DJ Byra, então esperem muitos posts de Indie Pops de bandas dos anos 2010, além de eletrônicos como Synth-pop, Indietronica, House e Remixes. Também sou desenvolvedor do Omnimusic, então se encontrar algum bug ou tiver feedback/sugestão, deixe uma mensagem. 😊
