Filho do Cariri paraibano, Flávio José surgiu nas festas de rua de Monteiro fazendo da sanfona uma extensão da voz; quatro décadas depois, continua lotando arraiás do país porque manteve o trio pé-de-serra intacto, indiferente aos modismos da indústria. Seu xote carrega o cheiro de terra molhada da Paraíba e prova que resguardar a raiz nordestina não é saudosismo, mas força criativa que mantém a cultura do sertão em plena pulsação.
Esse pulsar atinge o auge em Tareco & Mariola, faixa-título do álbum de 1995 que originalmente se chamava Meu Mungunzá pelo compositor Petrúcio Amorim. Ao rebatizar o xote e adensar seus arranjos, Flávio José converteu um retrato de infância em hino regional; a letra celebra quem sabe “tirar leite de pedra” enquanto saboreia lembranças de doce de roça, combina autobiografia e afeto coletivo; ao ouvi-la, o público parece partilhar o mesmo quintal em que o compositor cresceu. É esse poder de tornar particular o universal que faz a faixa permanecer obrigatória nos palcos de São João e explicar por que o disco se manter como referência em qualquer roda de forró pé-de-serra.
Sobre Adabriand Furtado
Paraibano, campinense (❤️), graduado em Ciência da Computação pela UFCG. Antes, tocava em festas indies/alternativas como DJ Byra, então esperem muitos posts de Indie Pops de bandas dos anos 2010, além de eletrônicos como Synth-pop, Indietronica, House e Remixes. Também sou desenvolvedor do Omnimusic, então se encontrar algum bug ou tiver feedback/sugestão, deixe uma mensagem. 😊

